3.8.02

Capítulo XIII - Reconciliação de Jeitosinha e Bruno

A família finalmente percebeu que Ambrósio estava desaparecido. Ele não
havia voltado da pescaria nem dado sinal de vida. Marilena chamou a Polícia,
que pareceu não dar muita importância à ocorrência. Os dois policiais
fizeram poucas perguntas, anotaram um boletim de forma burocrática e se
foram em poucos minutos, levando uma foto do homem.

Jeitosinha chegou em casa quase na hora do almoço. Os irmãos não perceberam
que ela passara a noite fora, mas sua mãe sim.

- Onde você estava? - Perguntou. Jeitosinha ignorou a abordagem.

- Sorte sua seu pai não estar por aqui. Ele não ia gostar disso... -
insistiu Marilena, com um tom seco de reprovação na voz. A resposta da filha
foi carregada de ironia:

- O que poderia preocupá-lo, mamãe? O risco de que eu perca a virgindade ou
volte grávida para casa?

Marilena tentou acariciar o cabelo da filha, que afastou sua mão com um
gesto brusco.

- Não me encoste! Eu odeio você! Um fio de lágrima escorreu pela face
esquerda da sofrida mãe.

- Querida... Você é tão jovem... Tem uma vida pela frente! Ainda há tempo de
encontrar a felicidade...

- Como eu poderia ser feliz? Eu sou uma mulher aprisionada no corpo de um
homem!

- Veja o lado positivo... - tentou consertar Marilena - Você não tem tensão
pré-menstrual, não precisa sentar-se em privadas sujas de boate... Mantenha
a calma e a resignação. Você ainda encontrará algum homem que a aceite como
você é!

"Sim", conjecturou Jeitosinha. "Este homem talvez seja Bruno. Mas como ele
estará se sentindo depois de nossa estranha noite de amor?". Ela pensou
durante todo o dia no seu amado, reunindo forças para enfrentar sua primeira
noite no bordel de luxo.

Curiosamente, a expectativa de entregar-se a estranhos não a incomodava.

Desde a revelação de sua condição, ela não se reconhecia naquele corpo.

Não sentia que tivesse que zelar dele.

Eram nove da noite quando Jeitosinha entrou no fusca de Arlindo, rumo à casa
de encontros. O local ficava próximo, mas era preciso percorrer um pequeno
trecho numa estrada pouco movimentada.

Justamente quando passavam pela parte mais escura e deserta do percurso, uma
luz surgida do nada cegou momentaneamente Arlindo, impedindo-o de dirigir.

O rapaz pisou no freio abruptamente. Antes que pudessem esboçar qualquer
reação, as duas portas do carro foram abertas, e o casal foi retirado de
dentro do veículo por mãos poderosas.

Pouco antes de tomar uma descarga elétrica que a faria perder os sentidos,
Jeitosinha pôde ver a face de seus raptores: eram homenzinhos verdes
vestindo estranhos macacões prateados.

Jeitosinha e Arlindo nas mãos de ETs!

Confira amanhã o próximo e emocionante capítulo!